Mrss Selenia, Radiant & Mr. Allatar are proud to present... THE MARAUDER'S JOURNAL...Of course We Solemny Swear We Are Up To No Good...

sexta-feira, novembro 18, 2005

No Sevenwaters

(Selenia)

Alguma vez deu por si a ter conversas impressionantemente redundantes? A discutir com amigos as providências divinas de ter sapatos com borracha na biqueira? Então isto é prática normal, e não um distúrbio mental afecto a nós em particular...

Capítulo 1 Caran Dache no maki

Selenia: Depois queres que te empreste os lápis de cor?
Allatar: Ah sim, sim!!! Obrigado. Mas... Oh! Esquece, eu posso pedir ao meu irmão! Ele deve ter alguns por lá.
Selenia: (irónica) Olha que num sei... não tou a ver um estudante de arquitetura a ter lápis de cor por casa...
Allatar: Ah... pois é... azar...
Selenia: Se fosse estudante de direito, aí talvez...
Allatar: Mas olha que se fosse de matemática ai sim--
Selenia: O.O! Claro, o que é um estudante de matemática sem lápis de cor!
Allatar: Da Caran dache, ali, bonitinhos! para desenhar as curvas de Gauss..
Selenia: Pois é...alguma vez um arquitecto tem lápis de cor.
Allatar: Menos provável de ter lápis de cor, só os estudantes de arte...

(é claro que isto é um resumo... na realidade esta conversa durou uns bons cinco a dez minutos...)

Capítulo 2 Granulosa no maki

Esta conversa, infelizmente tem que ser censurada.... Basta saber, no entanto, que começou num almoço, devido a uma mousse de chocolate com uma textura algo... estranha. Alguém, então, fez o comentário que ninguém que esteja a comer mousse de chocolate quer ouvir, e a conversa descarrilou a partir daí... feijoada, uvas, cerejas e outros alimentos foram deturpados para os efeitos desta conversa que acabou numa descrição bastante exaustiva e gesticulada dos diferentes tipos de, bem.... diarreia.....

Capítulo 3 Divindades no maki

Digamos que isto, veridicamente e no espaço de duas semanas, sensivelmente, foi das conversas da treta mais duradouras e megalómanas de sempre.Como na pasta de um estudante é necessário ter, no mínimo, um papel com cinco palavras escritas, um rapaz escreveu:"Declaro que este documento é comprovativo que o possuidor desta pasta, António, é Deus. Assinado: Deus."Logo de imediato houve um contestador a esse documento, afirmando que o documento era falso visto que Deus era, na realidade, ele, e que ele não se lembrava de alguma vez ter assinado o documento. A partir daí, numa campanha capaz de fazer empalidecer o Paulo Portas, ambos os candidatos a Deus foram ganhando apoiantes, profetas, oráculos e papas, geralmente atormentando as pessoas que, ao exclamarem "meu Deus", se deparavam com a resposta: "Chamaste-me?"Por fim, alguém pôs fim a esta febre. Se alguém é Deus, então alguém conheçe todos os cantos do Mundo. (Mundo esse que por estes lados indica uma certa pessoa,e não o planeta. Se bem que haja certas semelhanças). Imediatamente Ludgero desistiu de ser Deus, e Réu, a metade da Divina Dualidade, desertou e deixou António sozinho com a batata quente.

Capítulo 4 Primatas no maki

Ao Almoço, discutiam-se as disciplinas de opção, focando-se a conversa na disciplina de Primatologia.

Selenia: Primatologia é fixe, se bem que macacos não sejam propriamente o meu prato do dia.A isto
Allatar ri-se e, num rompante, pergunta:Ai, então não gostas de um lémur assado?
Orlagh: nem de arroz de Mandril.
Allatar: mas olha que espetadas de Langur...
Selenia: Não, não gosto dos pimentos.
Orlagh: E que tal Narigudos no forno?
Allatar: Não, que eles só comem erva, sabem a vaca.
Orlagh: Rissóis de marmoseta.
Selenia: Talvez Saimiri na púcara. Ou carne de Macaca à Alentejana. Ah, já sei. Bonobo à Brás.
Allatar: Bonobo à Gomes de Sá.
Selenia: Ah! Pastéis de Bonobo!
Allatar: Punhetas de Bonobo.. (que é um prato de bacalhau parecido com iscas)Aqui foi o descalabro, e a conversa parou com o riso visto que, os bonobos são chimpanzés muito cohecidos por indulgirem em actos sexuais (sozinhos ou acompanhados, sem distinção de sexos) em vez de andarem à pancada.Enfim.... são as que me lembro agora... Estejam à vontade para adicionarem os vossos próprios capítulos...

(Orlagh, eu)
Ok, e agora uma coisa que eu não cheguei a dizer ao almoço. Aqueles rissóis já me estavam a saber mal.A isto é que se chama uma Macacada.Bolas.Assim o pessoal não nos leva a sério, Sel. Imagina que há aqui alguém que no futuro nos vai dar emprego.
Ah tal coisa licenciado em Biologia na Universidade de Coimbra e tal... Pere lá. Você conhece o Allatar, a Selenia ou a Jo?
He. Eu sou o Allatar/Selenia/Jo.
ER... Pois. E eu tinha tão boas recomendações... Nós ligamos-lhe mais tarde. Próooooooooooooximo.Pá, assim ninguém nos dá crédito. Qualquer dia vai tudo para o Porto e para Lisboa estudar Biologia. AH NÃO POSSO!!! SELENIA!!! LEMBREI-ME DE UM!!!Bitoque Fantástico de Tamarim!!!!!Um dia hei-de ir presa por arranjar chatice... Weeeee.E o meu cabelo agora dá para fazer crista e tudo! /Eu tinha de dizer isto) Como é que era aquela sobre Jesus ser ou não ser homozigótico?

(Allatar)
Não, supostamente Jesus é haplóide, pois foi originado sem fecundação por partenogénese.

(Selenia)
Pois foi..... esqueçi-me dessa que durou ai....para aí uns quarenta minutos ao almoço, com direito a sequela em plena aula de invertebrados...

(Orlagh)
Bolas!Mas quantas vezes é que eu tenho de dizer-vos que, aparentemente, houve a Semente Divina?
A Semente Divina pode não ter sido visível, mas bolas, não vêem que Jesus nasceu homem? A Maria só deu UM cromossoma X, o cromossoma Y teve de vir de algum lado.Não é nada haplóide. É diplóide. E não é Partenogénese, mas sim Divinogénese.
Já agora, vou aqui contar outra conversa da treta, instaurada numa quinta-feira de manhã no intervalo de Bioquímica. Estavamos no Departamento de Bioquímica e nisto passa o Moicano (personagem muito adorada da nossa Ângela, mas em quem já ninguém pode ouvir falar. Menos eu, que sou muito compreensiva. E sou!), que é de Arquitectura.
Enfia-se no Elevador e lá vai ele.Vamos agora assistir à conversa que se seguiu (a Revolução dos Dicionários):

Eu: 'Tão... Mas se ele é de Arquitectura, como é que ele sobe no elevador do Departamento de Bioquímica?
Carlos: É que um fica ao pé do outro. Interpenetram-se.
Eu: Ahh.

(Dois segundos depois)

Eu: Não. Se eles se interpenetrassem, havia uma penetração recíproca, o que não acontece. O que se passa, o que tu queres dizer, é que é apenas um departamento penetra o outro. A interpenetração não existe neste caso.
Carlos: Hum... Um departamento penetra o outro em vários pontos, acho eu.
Eu: Ah pronto. Então isso é uma penetração reticulada. Portanto, em forma de rede. Um departamento penetra o outro emitindo como que raízes... Não achas?
Carlos: Ah exacto.

E foi isto, meus senhores.
Outra coisa que me aconteceu esta semana, foi alguém que eu cá conheço...Não vou citar nomes, mas basicamente a Selenia (oops) disse, a certa altura, que "até achava piada ao Draco Malfoy". E eu, que estava ao balcão do Bar do nosso rico Departamento, meio distraída, comecei a dizer "Bolas. Qualquer dia até há alguém que goste do S..." e calei-me. Olhei para ela, ela com aquele sorriso escarninho que ela faz quando fala naquilo, e diz-me: "Joana...Eu gosto do Snape."Perceberam? Eu ia dizer "Se já há quem ache piada ao idiota do Draco, qualquer dia nasce alguém que goste do Snape!!!!" A questão é que...já nasceu.E, inclusivamente, esta traidorazita quer ir de cachecol dos Slytherin para a estreia do Harry, enquanto eu levo o dos Gryffindor. Se levares, Sel, digo-te já que vou andar o dia todo a sibilar ou a falar Parseltongue. Yuahahaha.Sim, porque afinal quem fala com serpentes são os Gryffindor, não os Slytherin.Sssssss...

I SUPPORT...HARRY POTTER!

Não falem para o Allatar. Ele torce pela Fleur.

No Sevenwaters

(Selenia)

Alguma vez deu por si a ter conversas impressionantemente redundantes? A discutir com amigos as providências divinas de ter sapatos com borracha na biqueira? Então isto é prática normal, e não um distúrbio mental afecto a nós em particular...

Capítulo 1 Caran Dache no maki

Selenia: Depois queres que te empreste os lápis de cor?
Allatar: Ah sim, sim!!! Obrigado. Mas... Oh! Esquece, eu posso pedir ao meu irmão! Ele deve ter alguns por lá.
Selenia: (irónica) Olha que num sei... não tou a ver um estudante de arquitetura a ter lápis de cor por casa...
Allatar: Ah... pois é... azar...
Selenia: Se fosse estudante de direito, aí talvez...
Allatar: Mas olha que se fosse de matemática ai sim--
Selenia: O.O! Claro, o que é um estudante de matemática sem lápis de cor!
Allatar: Da Caran dache, ali, bonitinhos! para desenhar as curvas de Gauss..
Selenia: Pois é...alguma vez um arquitecto tem lápis de cor.
Allatar: Menos provável de ter lápis de cor, só os estudantes de arte...

(é claro que isto é um resumo... na realidade esta conversa durou uns bons cinco a dez minutos...)

Capítulo 2 Granulosa no maki

Esta conversa, infelizmente tem que ser censurada.... Basta saber, no entanto, que começou num almoço, devido a uma mousse de chocolate com uma textura algo... estranha. Alguém, então, fez o comentário que ninguém que esteja a comer mousse de chocolate quer ouvir, e a conversa descarrilou a partir daí... feijoada, uvas, cerejas e outros alimentos foram deturpados para os efeitos desta conversa que acabou numa descrição bastante exaustiva e gesticulada dos diferentes tipos de, bem.... diarreia.....

Capítulo 3 Divindades no maki

Digamos que isto, veridicamente e no espaço de duas semanas, sensivelmente, foi das conversas da treta mais duradouras e megalómanas de sempre.Como na pasta de um estudante é necessário ter, no mínimo, um papel com cinco palavras escritas, um rapaz escreveu:"Declaro que este documento é comprovativo que o possuidor desta pasta, António, é Deus. Assinado: Deus."Logo de imediato houve um contestador a esse documento, afirmando que o documento era falso visto que Deus era, na realidade, ele, e que ele não se lembrava de alguma vez ter assinado o documento. A partir daí, numa campanha capaz de fazer empalidecer o Paulo Portas, ambos os candidatos a Deus foram ganhando apoiantes, profetas, oráculos e papas, geralmente atormentando as pessoas que, ao exclamarem "meu Deus", se deparavam com a resposta: "Chamaste-me?"Por fim, alguém pôs fim a esta febre. Se alguém é Deus, então alguém conheçe todos os cantos do Mundo. (Mundo esse que por estes lados indica uma certa pessoa,e não o planeta. Se bem que haja certas semelhanças). Imediatamente Ludgero desistiu de ser Deus, e Réu, a metade da Divina Dualidade, desertou e deixou António sozinho com a batata quente.

Capítulo 4 Primatas no maki

Ao Almoço, discutiam-se as disciplinas de opção, focando-se a conversa na disciplina de Primatologia.

Selenia: Primatologia é fixe, se bem que macacos não sejam propriamente o meu prato do dia.A isto
Allatar ri-se e, num rompante, pergunta:Ai, então não gostas de um lémur assado?
Orlagh: nem de arroz de Mandril.
Allatar: mas olha que espetadas de Langur...
Selenia: Não, não gosto dos pimentos.
Orlagh: E que tal Narigudos no forno?
Allatar: Não, que eles só comem erva, sabem a vaca.
Orlagh: Rissóis de marmoseta.
Selenia: Talvez Saimiri na púcara. Ou carne de Macaca à Alentejana. Ah, já sei. Bonobo à Brás.
Allatar: Bonobo à Gomes de Sá.
Selenia: Ah! Pastéis de Bonobo!
Allatar: Punhetas de Bonobo.. (que é um prato de bacalhau parecido com iscas)Aqui foi o descalabro, e a conversa parou com o riso visto que, os bonobos são chimpanzés muito cohecidos por indulgirem em actos sexuais (sozinhos ou acompanhados, sem distinção de sexos) em vez de andarem à pancada.Enfim.... são as que me lembro agora... Estejam à vontade para adicionarem os vossos próprios capítulos...

(Orlagh, eu)
Ok, e agora uma coisa que eu não cheguei a dizer ao almoço. Aqueles rissóis já me estavam a saber mal.A isto é que se chama uma Macacada.Bolas.Assim o pessoal não nos leva a sério, Sel. Imagina que há aqui alguém que no futuro nos vai dar emprego.
Ah tal coisa licenciado em Biologia na Universidade de Coimbra e tal... Pere lá. Você conhece o Allatar, a Selenia ou a Jo?
He. Eu sou o Allatar/Selenia/Jo.
ER... Pois. E eu tinha tão boas recomendações... Nós ligamos-lhe mais tarde. Próooooooooooooximo.Pá, assim ninguém nos dá crédito. Qualquer dia vai tudo para o Porto e para Lisboa estudar Biologia. AH NÃO POSSO!!! SELENIA!!! LEMBREI-ME DE UM!!!Bitoque Fantástico de Tamarim!!!!!Um dia hei-de ir presa por arranjar chatice... Weeeee.E o meu cabelo agora dá para fazer crista e tudo! /Eu tinha de dizer isto) Como é que era aquela sobre Jesus ser ou não ser homozigótico?

(Allatar)
Não, supostamente Jesus é haplóide, pois foi originado sem fecundação por partenogénese.

(Selenia)
Pois foi..... esqueçi-me dessa que durou ai....para aí uns quarenta minutos ao almoço, com direito a sequela em plena aula de invertebrados...

(Orlagh)
Bolas!Mas quantas vezes é que eu tenho de dizer-vos que, aparentemente, houve a Semente Divina?
A Semente Divina pode não ter sido visível, mas bolas, não vêem que Jesus nasceu homem? A Maria só deu UM cromossoma X, o cromossoma Y teve de vir de algum lado.Não é nada haplóide. É diplóide. E não é Partenogénese, mas sim Divinogénese.
Já agora, vou aqui contar outra conversa da treta, instaurada numa quinta-feira de manhã no intervalo de Bioquímica. Estavamos no Departamento de Bioquímica e nisto passa o Moicano (personagem muito adorada da nossa Ângela, mas em quem já ninguém pode ouvir falar. Menos eu, que sou muito compreensiva. E sou!), que é de Arquitectura.
Enfia-se no Elevador e lá vai ele.Vamos agora assistir à conversa que se seguiu (a Revolução dos Dicionários):

Eu: 'Tão... Mas se ele é de Arquitectura, como é que ele sobe no elevador do Departamento de Bioquímica?
Carlos: É que um fica ao pé do outro. Interpenetram-se.
Eu: Ahh.

(Dois segundos depois)

Eu: Não. Se eles se interpenetrassem, havia uma penetração recíproca, o que não acontece. O que se passa, o que tu queres dizer, é que é apenas um departamento penetra o outro. A interpenetração não existe neste caso.
Carlos: Hum... Um departamento penetra o outro em vários pontos, acho eu.
Eu: Ah pronto. Então isso é uma penetração reticulada. Portanto, em forma de rede. Um departamento penetra o outro emitindo como que raízes... Não achas?
Carlos: Ah exacto.

E foi isto, meus senhores.
Outra coisa que me aconteceu esta semana, foi alguém que eu cá conheço...Não vou citar nomes, mas basicamente a Selenia (oops) disse, a certa altura, que "até achava piada ao Draco Malfoy". E eu, que estava ao balcão do Bar do nosso rico Departamento, meio distraída, comecei a dizer "Bolas. Qualquer dia até há alguém que goste do S..." e calei-me. Olhei para ela, ela com aquele sorriso escarninho que ela faz quando fala naquilo, e diz-me: "Joana...Eu gosto do Snape."Perceberam? Eu ia dizer "Se já há quem ache piada ao idiota do Draco, qualquer dia nasce alguém que goste do Snape!!!!" A questão é que...já nasceu.E, inclusivamente, esta traidorazita quer ir de cachecol dos Slytherin para a estreia do Harry, enquanto eu levo o dos Gryffindor. Se levares, Sel, digo-te já que vou andar o dia todo a sibilar ou a falar Parseltongue. Yuahahaha.Sim, porque afinal quem fala com serpentes são os Gryffindor, não os Slytherin.Sssssss...

I SUPPORT...HARRY POTTER!

Não falem para o Allatar. Ele torce pela Fleur.

era suposto ser um concurso... mas acabou um textozinho jeitoso

Isto era para ser um texto a submeter a concurso para a rfm.... mas não só num era este o tema (Ahh Jo.. onde andas com a cabeça...), como o concurso acabava no próprio dia... :P
Enfim.. aqui fica ele...


Acabei de decidir. Se há algo que é realmente esquisito demais para ser tolerável, é comer com um fantasma a seguir intentamente cada garfada com o olhar. Mas enfim, era apenas mais uma situação perfeitamente irreal, numa noite completamente louca.
Depois de me ver sentada com um pedaço de pano, ainda chamado de chapéu apenas porque se conseguia enfiar na cabeça, a falar comigo e a comentar que, se eu gostava assim tanto do Snape, mais valia ir para os Slytherin e aproveitar, lá acabei por ser escolhida para a mesa mais óbvia. Sim, porque Gryffindor não é a casa dos corajosos, é sim a dos doidos que inventam rebuçados lingua-de-légua, que chamam segunda casa à Floresta Proibida, e a quem, de alguma forma, uma noite sem castigo é o resultado de um dia perdido. Ora para alguém que passa os dias na Mata Restricta, tem ataques de riso incontroláveis em plena aula, anda pelos corredores a invocar doninhas e a fugir de sapos igualmente invocados, para além de ter no currículo duas expulsões por distúrbios vários e outra por utilização ilegal de mágicas nos corredores, foi sem surpresa que me vi entalada na mesa em tons vermelhos e dourados, entre um rapaz roliço e tímido, e um ruivo barulhento que, de momento, estava ocupado demais para fazer mais que piscar o olho, visto que é difícil falar com duas pernas de frango enfiadas na boca. Esforçando-me por não me rir, desviei a atenção à procura de alguma coisa para beber para além de sumo de abóbora. Por mais que todos o bebessem, não era suficiente para me dar vontade de o provar. Finalmente encontrando a água, enchi o copo enquanto um rapaz na minha frente, com uma garfada de pudim de carne a meio caminho da boca, perguntou apressadamente:
"E então, ouvi dizer que vieste de outra escola?"
"Sim." respondi sem me alongar, visto estar indecisa entre provar o tal pudim, tentar a perna de porco com umas ervas estranhamente azuis, ou jogar pelo seguro e agarrar-me às familiares pernas de frango antes que elas desaparecessem no abismo infindável, mais conhecido como 'Boca do Ruivo ao Meu Lado'.
"E como era?" formulou o dito abismo, palavras saindo por entre a comida. O rapaz parou, engoliu, e acrescentou com ar preocupado: "Não vieste de Beauxbatons, pois não?"
"Não." onde quer que isso fosse. "Vim da Escola de Feitiçaria e Conhecimento Mágico de Coimbra."
"E como é? Parecida com Hogwarts?"
"Bem... não tem fantasmas... que eu conheça." disse, pausando no arroz fritado de omphalina, e olhando de soslaio para outro fantasma, aparentemente saído das histórias do Robin dos Bosques. Vários comentários soaram então, à medida que mais pessoas iam tomando atenção à conversa que começara.
"E que mais? Os professores são bons?" perguntou uma rapariga no outro lado do ruivo, cabelo encaracolado revolteando até a meio das costas.
"Alguns. Outros não valem nada."
"Ah." disse o ruivo com uma gargalhada. "É como aqui. temos cada um que nem imaginas!"
"Ron!!"
"É verdade!"
Depressa me distrai da discussão entre eles, visto que a mesa estava rapidamente a ser preenchida por sobremesas suficientes para acabar com o apetite dos piscos carnívoros da Mata. Com um sorriso guloso, estendi o garfo para um prato cheio de tiras semelhantes a farturas, olhando já para uma taça de molho vermelho-vivo, que exalava um forte cheiro a framboesa.
"Oh, vá lá! Aposto que na escola dela não tens fantasmas a dar aulas!"
Esse pedaço de conversa atraiu a minha atenção.
"Não, mas temos uma professora que seria mais interessante se o fosse. Já se dorme nas aulas dela, de qualquer maneira..."
"Espera até teres a primeira aula com o Binns."
"Binns?"
"O tal fantasma." replicou o rapaz na minha frente, como se espíritos presos ao mundo dos vivos e dando aulas enquanto assombram a sala fosse a coisa mais natural do mundo.
"Er..." não sabia o que dizer a isso, portanto aproveitei a pausa para acabar com a minha fartura que não era fartura, mas que não deixava de ser excelente por causa disso. "E os outros professores?"
"São bons." a jovem respondeu com gosto, ignorando os sons de gozo vindos da direcção geral do ruivo, que pelos vistos se chamava Ron. "A professora McGonahal é exigente mas muito boa, assim como a Professora Sinistra, e o Professor Flitwick é excelente, e--"
"A Professora Sprout também!" interrompeu o rapaz na minha esquerda, pela primeira vez intervindo na conversa. Sabendo perfeitamente que não me ia lembrar de tantos pormenores no dia seguinte, puxei a conversa para o único professor que até agora conhecia.
"E o Professor Snape?" disse, enquanto escolhia por entre flocos de neve enormes, com mais cores que o arco-íris, determinada em descobrir do que é que eram feitos, exactamente.
Alguém se engasgou para lá da rapariga, e uma cabeça apareceu por detrás dela.
"Conheces o Snape?!"
Virei-me para este novo rapaz. Cabelo escuro, algo rebelde, espetava em certos sítios, e caia desordenadamente sobre a testa. Olhos profundamente verdes fitavam-me por detrás de óculos redondos, e o franzir da testa pôs em evidência uma estranha cicatriz meio escondida por entre as madeixas, correndo em ziguezague desde a linha do cabelo, até pouco acima da sobrancelha actualmente franzida.
"Harry Potter." disse, ligando o nome à pessoa. E imediatamente, como é meu costume, disse a primeira coisa que me veio à cabeça: "Tenho um esquilo com o teu nome!"
Digamos que a gargalhada geral que se seguiu foi suficiente para que até nas mesas mais afastadas houvesse gente a olhar curiosamente na nossa direcção.
"Um esquilo!" Ron, particularmente, estava a achar imensa piada. Não pude deixar de sorrir.
"Sim. Não é propriamente meu, visto que vive na Mata."
"Na Mata?"
"A Mata Restricta. Acho que deve ser o equivalente à vossa Floresta Proibida." um coro de "Ahh's" respondeu a essa informação. "Bom, mas como ele anda sempre connosco, eu e os meus amigos acabámos por o adoptar, por assim dizer." não pude deixar de me rir, enquanto as memórias me vinham à cabeça. "Sabem, é que houve um dia em que ele foi atacado por um pisco carnívoro, mesmo à nossa frente. Só que o pássaro engasgou-se de tal maneira que conseguimos apanhá-lo, e salvar o esquilo. Ficou com uma ferida na cabeça e um rasgão na orelha, mas de resto safou-se bem. É por isso que lhe chamamos Harry Potter, e o pisco ficou conhecido como 'Aquele Idiota Cujo Nome Não Merece Ser Pronunciado'."
Era uma boa história em qualquer lado, mas ali, na mesa dos Gryffindor e com o verdadeiro Harry ao pé, claramente indeciso entre sentir-se ofendido, ou rir com gosto, a história tornava-se rapidamente numa daquelas anedotas com lugar na história popular da Casa dos Leões. Acabando por fim os flocos, ainda sem saber do que raio eram feitos, resolvi voltar atrás, percebendo que conhecer o Snape não era propriamente um bom cartão de visitas por estas bandas.
"Já vi o Snape, sim. O Tratado Anual do Léxico de Feitiçaria teve lugar na minha escola o ano passado. Esse professor foi o representante de Hogwarts."
"Ah, estou a ver." Harry parecia algo aliviado.
"Podia-te ter conhecido antes, sabias?" Ron virara-se completamente para mim com um ar sério. "Assim podia ter-te avisado para dares o Snape a esses piscos que há na tua Mata."
Nem Hermione, pois era esse o nome da rapariga, conseguiu conter o riso, perante a imagem totalmente absurda que apareceu na mente de toda a gente ao ouvir tal comentário.
"Não têm nada na vossa Floresta para tratar do assunto?" perguntei para continuar a piada. " Lá se calhar só os melros, ou os Boletos, é que davam conta do recado."
"Mm. Temos a Lula gigante. Mas ela é inofensiva. Talves aquelas aranhas enormes lá na Floresta, as Acromantulas.."
Ron, a isso, estremeceu, e propôs uma mudança de assunto, que foi interompida pelo director da escola, que se levantou. Fez-se silêncio no salão, ou tanto quanto é possível numa sala cheia de adolescente que não se viam desde o início do Verão. Foi um bom discurso, aparentemente, se bem que não tenha apanhado quase nada, recostada confortavelmente, e ainda a saborear o último pedaço de gelado que, se confiar na Hermione, é feito de leite, natas árabes e gymnopilus, o que quer que isso seja. Mas é bom! Para uma primeira noite, tudo correu lindamente, e percebi que, em Hogwarts, as refeições são tudo menos aborrecidas. Agora aquele sumo de abóbora...